terça-feira, 2 de julho de 2013

SÍNDROME DE PATAU

Quais as causas?
Não existem causas específicas para a ocorrência da Síndrome de Patau mas, como na maioria das trissomias está associada à idade avançada materna, os filhos de mulheres com idades superiores a 40 anos são mais propícios a ter esta anomalia, porque a partir desta idade as mulheres estão mais sujeitas à ocorrência da não disjunção dos cromossomas, originando assim a trissomia.


Quais os traços característicos da doença?
As pessoas que possuem este tipo de anomalia são facilmente “reconhecidas” porque tem características físicas muito específicas e frequentes nesta síndrome, sendo entre elas as mais comuns:
* Lábio e/ou Palato (céu da boca) fendido;
* Pescoço curto;
* Lábio leporino (abertura na região do lábio), acompanhado ou não de palato alto;
* Queixo pequeno;
* Orelhas dismórficas de implantação baixa e surdez aparente;
* Hemangiomas (pequenos tumores benignos) planos na cabeça;
* Distância intermamilar grande;
* Genitais externos com anomalias: nos rapazes, pénis encurvado e nas raparigas, vagina dupla;
* Mãos com hexadactilia (6 dedos), geralmente com o polegar e os dois últimos dedos sobrepostos aos outros; unhas estreitas;
* Pés também com hexadactilia e com região planar convexa (pés em cadeira de balanço);
* Prega de flexão palmar única.

Quais as doenças associadas?
As doenças vulgarmente associadas a esta trissomia são:
* Anomalias Cardíacas;
* Surdez;
* Polidactilia;
* Deficiência mental.
Para além destas doenças, na maioria dos casos, os mutantes do sexo feminino têm o útero bicorno (é uma má formação uterina em que existe uma membrana que divide o útero em dois lados) e os ovários hipoplásticos, e os do sexo masculino têm criptorquidia (quando não há a descida correcta dos testículos para o escroto).

Existe tratamento?

Para esta anomalia ainda não foi descoberta nenhuma cura viável mas, para diminuir o risco de vida e melhorar algumas anomalias, pode-se recorrer a intervenções cirúrgicas.
Para além das cirurgias que podem ser feitas para melhorar as condições de saúde dos recém-nascidos com trissomia 13, estes têm que ser logo acompanhados por uma equipa médica desde o seu nascimento. Visto que, as deficiências cardíacas são a causa principal de morte nesta doença, coloca-se um problema no que diz respeito à recuperação cirúrgica, que é, se esta será realmente bem conseguida, tendo em conta que, o prognóstico do quadro clínico é péssimo. Quanto aos pacientes que têm alta, necessitam mesmo assim de ser acompanhados no seu dia-a-dia por médicos e, os pais destes pacientes são previamente ensinados para estar preparados para conseguirem realizar determinadas tarefas que podem ser de importância vital para a sobrevivência do recém-nascido. Apesar de este acompanhamento que pode ser feito, a esperança média de vida das pessoas com este tipo de trissomia é muito baixo.
Podem ter uma vida sexual activa?
Visto que a taxa de sobrevivência de pessoas com esta mutação é muito baixa, não há casos conhecidos de mutantes possuidores desta anomalia com vida sexual activa, e este facto torna-se ainda mais provável porque a maioria dos indivíduos com trissomia 13 morrem após 6 meses de vida.
Quais as dificuldades/limitações?
Nesta trissomia, as maiores limitações estão associadas a problemas cardíacos, neurológicos e motores.
A maioria dos recém-nascidos (90%) não falam nem andam sem a ajuda de aparelhos especializados. Mas mesmo com este tipo de ajudas dos aparelhos e do desenvolvimento da medicina e da ciência, actualmente, a esperança média de vida destes recém-nascidos continua muito baixa (5%).



Qual o risco de um casal ter um filho com esta mutação?
Como em todas as trissomias, não há um risco específico para se ter um filho com síndrome de Patau, por isso, qualquer indivíduo com alterações genéticas ou não pode ter um filho com esta trissomia.
Apesar de não haver um risco específico, a probabilidade de um casal ter um filho com esta anomalia é maior quando a idade da mulher é <40 anos.

1 . Trissomia do cromossomo 13 ou síndrome de Patau:
A trissomia do cromossomo 13 tem como definição uma desordem cromossomal resultando em uma síndrome caracterizada especificamente pôr anomalias morfológicas e malformação de órgãos, gerando a inviabilidade dos afetados. Ocorre quando existem três cromossomos 13 em lugar do par normal no genótipo de um recém nascido. Tem como causa a não disjunção dos cromossomos durante a anáfase 1, gerando gametas com 24 cromátides.
 2. Histórico:
Observada na literatura a primeira vez em 1657 pôr Bartholin, e descrita em 1960 pôr Patau e colaboradores, que a denominaram trissomia do cromossomo D1. Logo em seguida, a síndrome determinada pôr essa aneuploidia foi minuciosamente estudada pôr diversos autores, de sorte que, e, em pouco tempo, ela pôde ser caracterizada clinicamente com bastante precisão. Estudos auto-radiográficos e de fluorescência forneceram evidências de que o cromossomo trissômico nesta síndrome é o 13.
 3. Epidemiologia:
Ocorre na variação de 1/4.000–10.000 crianças que nascem, sendo letal geralmente no primeiro mês da doença. Tem a probabilidade de risco agravada pôr uma possível gravidez tardia (>37 anos), devido ao fato de que mulheres acima desta idade, estarem mais propícias a ocorrência da não disjunção dos cromossomos. Parece possuir ligeira preferência pelo sexo feminino.
 4. Patogênese:

  • Genética: Trissomia do 13: Quadro clínico rico em sinais e cerca de 75% dos casos apresentam cariótipo com trissomia regular. A trissomia é devida ao fato de não haver disjunção dos cromossomos durante a anáfase 1 da mitose. A gravidez em idade avançada aumenta a possibilidade da não disjunção dos cromossomos. Sua taxa de ocorrência é 1/4.000.

A trissomia tem origem do óvulo feminino, pelo fato da fêmea maturar geralmente apenas um ovócito, em antagonismo com o macho, que matura milhões de espermatozóides. Gametas masculinos portadores de alterações numéricas cromossômicas tem menor viabilidade que gametas normais, sendo mínimas as possibilidades de um gameta masculino com 24 cromátides fecundar um ovócito.
Translocações: São responsável pôr 20% das ocorrências, sendo que ¾ das translocações são esporádicas, e ¼ são herdadas. As translocações familiares balanceadas ou não envolvendo cromossomos do grupo D [mais freqüentemente t(13q14q)] estão entre as mais comuns, dentre as variações da síndrome. As pessoas normais que tem essa translocação equilibrada estão sob o risco de 5% não apenas de gerar uma criança com síndrome de Patau, mas também de ter em sua prole crianças com síndrome de Down com trissomia regular, pôr um efeito intercromossômico.

Mosaicismo: Representa 5% das ocorrências da síndrome, sendo verificado pelo fato do afetado não possuir a anomalia cromossômica de forma detectável. São representados da seguinte maneira: 46,XX ou XY/47, XX ou XY, + 13. Esta alteração pode propiciar que o afetado chegue até a idade adulta, mesmo manifestando o fenótipo.

Patogênese: Um problema durante as 3 primeiras semanas de desenvolvimento do embrião, na diferenciação do mesoderma, na placa pré-cordal, gera a anomalia no indivíduo que possui o genótipo.

5. Diagnóstico:
O diagnóstico clínico da síndrome de Patau, a ser confirmado pelo exame cromossômico é fácil, pois dentre os seus sinais mais comuns estão:
 - baixo peso corporal (2.600Kg);
- Microcefalia e testa achatada;
- Largas suturas sagitais e fontanelas;
- Hipertelorismo ocular e microftalmia bilateral, podendo chegar a anoftalmia;
- Lábio leporino acompanhado ou não de palatosquise ou palato alto;
- Queixo pequeno;
- Defeitos na face média e cérebro anterior;
- Orelhas dismórficas de implantação baixa e surdez aparente;
- Pescoço curto;
- Fronte inclinada;
- Hemangiomas planos na cabeça;
- Distância intermamilar grande;
- Apnéias prolongadas;
- Cardiopatias congênitas, que representam comunicação interventricular e persistência do conduto arterial;
- Apêndice pré-sacral e fóvea coccigeana;
- Hérnia inguinal ou umbilical;
- Genitais externos anômalos (criptorquidia escroto, abdominal, genitália ambígua e pênis encurvado entre os meninos, e clitoromegalia e vagina dupla entre as meninas);
- Mãos com hexadactilia uni- ou bilateral, geralmente com o polegar e os dois últimos dedos sobrepostos aos outros; unhas estreitas e hiperconvexas;
- Prega de flexão palmar única, trirrádio axial em posição bastante distal (t’’ e t ’’’) e arco na região tenar;
- Pés com hexadactilia uni- ou bilateral e com região plantar convexa (pés em cadeira de balanço);
- Arco ou arco retorcido em S na região halucal.
- Arrinencefalia (ausência de bulbo e trato olfativo);
- Deficiência mental;
- Útero bicorne;
- Rim policístico, hidronefrose, hidroureter e ureteres duplos, relacionados a oligúria e anúria em afetados;
- Atrofia ou ausência das últimas costelas e de vértebras, e hiperplasia sacral;
- Presença de Hemoglobina Gower 2, que é uma hemoglobina embrionária que desaparece no terceiro mês de gestação;
- Neutrófilos com núcleo mostrando muitas saliências pedunculadas ou sésseis;

6. Investigações:
- Para observar más formações:
  •  Anomalias cardiovasculares: Echo;
  • Anomalias no sistema nervoso central: CT/MRI;
  • Anomalias genito-urinárias: Ultrasom;

 - Cariótipo
 - Amniocinese

7. Tempo de sobrevivência dos afetados:
45% morrem em 1 mês;
69% morrem em 6 meses;
72% morrem em 1 ano;

8. Aconselhamento médico:
Genitores devem ser informados de que a trissomia do 13 tem a taxa de ocorrência de 1/4.000 – 10.000;
Necessidade de avaliar o cariótipo dos genitores para saber a probabilidade de chances de ocorrer um afetado;

No caso de uma gravidez com ocorrência da síndrome, é necessário acompanhamento com amniocinese na gestações subsequentes.

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *